domingo, 18 de outubro de 2026

Mercado Imobiliário

Os apartamentos encolheram? O que os novos projetos nos explicam

06/10/2026

Nos anos 2000, apartamentos lançados tinham cerca de 86 metros quadrados de área privativa; desde 2020, a metragem caiu para 36 metros quadrados.
 

O apartamento que já existia não encolheu, mas o novo ficou muito menor. Essa diferença muda a história de que a moradia está ficando minúscula.

 

Em São Paulo, a primeira impressão parece certa. Os apartamentos estão sim ficando menores no lançamento.

 

Na primeira década dos anos 2000, os apartamentos lançados tinham cerca de 86 metros quadrados de área privativa. De 2020 pra cá, a metragem caiu para 36 metros quadrados.

 

Quando se observa a primeira venda desses imóveis, a área também caiu na mesma proporção. Cerca de 90 metros quadrados cederam a 35 metros. Por dois caminhos diferentes, o apartamento novo, sim, encolheu.

 

No entanto, se o estoque inteiro estivesse diminuindo, os apartamentos antigos também deveriam ser vendidos em uma metragem menor - o que é possível ser feito de diversas formas, como dividir a matrícula ou quebrar o apartamento.

 

Os apartamentos da década de 90 continuam sendo vendidos com uma metragem praticamente idêntica à de 20 anos atrás. O apartamento não diminuiu porque o espaço ficou caro demais.

 

Em termos de reais, o metro quadrado médio está abaixo do pico de 2014. Os R$ 500 mil hoje, nos prédios antigos, compram iguais ou mais metros quadrados do que compravam em 2012, por exemplo.

 

Então, afinal, por que o mercado passou a construir imóveis tão diferentes? O Rio de Janeiro ajuda a responder.

 

Entre 2012 e 2023, o apartamento vendido na cidade carioca seguiu uma média estável de tamanho, entre 69 e 72 metros quadrados.

 

Além disso, desde 2024, os apartamentos de até 50 metros quadrados têm ganhado muito mais espaço.

 

Nos prédios construídos a partir de 2020, a mediana é de cerca de 44 metros quadrados. E 3 em cada 4 apartamentos vendidos têm até 50.

 

Mas tem um ponto crucial aqui que separa o Rio de Janeiro e São Paulo: os apartamentos de até 30 metros quadrados nunca passaram de 3,5% das vendas. Ou seja, a cidade ganhou um apartamento menor, mas nunca ganhou aquele estúdio minúsculo.

 

E o que encolheu não foi só a área. Segundo o cadastro de lançamentos em São Paulo nos anos 2000, praticamente cada apartamento lançado tinha uma vaga de garagem.

 

Hoje, entre 67 e 77% deles são lançados sem nenhuma.

 

Os de 3 dormitórios ou mais, que representavam cerca de 60% dos lançamentos, hoje não representam nem 15%. O que mudou foi o que se passou a construir.

 

Nesse sentido, surgem algumas perguntas que os dados ainda não conseguem responder completamente: Será que as pessoas estão querendo morar de outro jeito? Será que a localização passou a valer mais do que o espaço? E será que o apartamento passou a servir a outros usos além de morar? 

 

 

Fonte: CNN Money

 Conjuntura econômica influencia escolha de moradia dos gaúchos

06/10/2026

Casin Consquista/DIVULGAÇÃO/JC

 

 

Entre 2016 e 2025, o número de domicílios alugados cresceu 54,1% no Brasil; em Porto Alegre, representam 20,72% do total de moradias

 

A economia brasileira vem influenciando diretamente na escolha de moradias e na relação das pessoas com a cidade. Fatores socioeconômicos - que atravessam a taxa Selic, a inadimplência e as novas organizações de família - transformaram as dinâmicas urbanas e como o mercado imobiliário opera.



Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), o número de imóveis alugados cresceu 54,1% no Brasil entre 2016 e 2025. No último ano, o País alcançou os 79,3 milhões de domicílios particulares permanentes, dos quais 18,9 milhões são alugados - quase um quarto de toda a moradia brasileira.



Na capital gaúcha, concomitantemente, os apartamentos cresceram e são maioria, 52,1% dos domicílios de Porto Alegre têm esse formato e concentram 45,9% da população. Em relação ao aluguel, segundo dados do IBGE de 2022, 20,79% dos imóveis são alugados, maior que a média do Estado, em que o percentual chega a 17,93%.



O aumento exponencial do aluguel e o crescimento da verticalização das cidades geram alerta no segmento. José Craidy Simões, integrante do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado (CAU-RS) e doutor em planejamento urbano, explica que os resultados observados são construídos por meio de muitas variáveis. “Hoje temos famílias menores, mais pessoas que moram sozinhas, uma tendência de casais sem filhos, o que torna a demanda de apartamentos e de aluguel maior. Outros fatores também são a preferência por locais mais próximos dos centros comerciais, do trabalho, do lazer. É uma combinação do perfil de cada um, o tipo de vida, cultura, família e, claro, renda.”



Simões defende que as pessoas estão mais conscientes de que não basta possuir uma habitação, mas considerar juntamente o custo do transporte, do deslocamento, do acesso a serviços e lazer. Por muitas vezes, morar perto do trabalho, mas de aluguel, por exemplo, vale mais a pena que longe, mas em uma casa própria.



O Sindicato de Habitação gaúcho (Secovi-RS) apurou para o Jornal do Comércio o preço médio por m2 das locações residenciais em Porto Alegre desde setembro de 2021. No acumulado (%) de 12 meses de setembro de 2023 a agosto de 2024, por causa das enchentes, houve uma alta de 21,99% no valor do imóvel. Desde então, o acumulado tem diminuído, mas não retornou aos valores anteriores ao desastre. De setembro de 2022 a agosto de 2023, o crescimento chegou a 8,34%; na última apuração (setembro de 2025 a agosto de 2026) alcançou os 13,98%.



A alta dos juros, em um primeiro momento, reflete diretamente no capital produtivo, e, via de regra, os empreendimentos concretizam-se quando há possibilidade de retorno financeiro maior que o investimento. Para a população, o resultado é pressão sobre o mercado imobiliário com a redução da oferta.

 

“Os juros elevados afetam também o acesso a financiamentos, o que dificulta o acesso ao imóvel próprio, e o crédito de construção. Estamos em um momento de desaceleração da construção civil e, conforme a lei de mercado de oferta e demanda, uma vez que existe uma demanda maior e uma oferta menor, o preço aumenta", afirma o vice-presidente de locações do Secovi-RS e fundador-diretor da Sperinde Imóveis, Cézar Sperinde Filho.



Após as enchentes, os gaúchos passaram a buscar por áreas mais altas na hora da escolha de moradia. Conforme dados do Secovi-RS, 36% das locações entre janeiro e julho de 2026 se concentraram nos bairros Centro Histórico, Petrópolis, Partenon, Cidade Baixa e Bom Fim. Destes, apenas um foi profundamente afetado pelas águas.



O acesso à escolha é algo para poucos. Populações de baixa renda muitas vezes acabam morando afastadas dos centros, o que torna-se um desgaste e obstáculo na rotina. De acordo com o doutor em planejamento urbano, existe um sacrifício econômico e social enfrentado por esses grupos e a cidade possui o dever de oferecer direito à moradia, à mobilidade, à cultura e à educação, não sendo o bastante estimular apenas a construção de habitações, mas compreender as reais demandas. “Os novos hábitos de moradia não são necessariamente preferências, mas parte de uma estratégia de habitação ao custo”.

 

Setor imobiliário gaúcho adapta projetos a novas preferências urbanas

A partir das novas experiências sociais com a cidade e as mudanças de preferência sobre onde e como morar, o setor imobiliário gaúcho tem buscado se adaptar a esse novo cenário. Cézar Sperinde Filho, vice-presidente do Secovi-RS, destaca que o produtor tem refeito seus projetos, focando principalmente em localização, e o gaúcho tem procurado por uma combinação de lazer e custo benefício.



A Casin Conquista, incorporadora que investe em projetos focados em moradia acessível - como o Minha Casa Minha Vida -, tem apostado em habitações que atendam a essas novas demandas. O diretor da empresa, Alexandre Medeiros, defende que habitação deve trazer dignidade e participação no cenário urbano, o que não é possível de acessar sem uma boa localização, que integre as pessoas aos centros comerciais e de serviço.



“Estar dentro do cenário urbano aproxima você a tudo que compõe a sociedade, teu trabalho, teu tempo, tua qualidade de vida. Consegue ir ao mercado, levar seus filhos no parque, na escola, ir ao shopping”, aponta o diretor. Ele reforça também que o planejamento da cidade deve ser mais amplamente discutido.



“O que precisamos essencialmente é um planejamento que trata a habitação como uma parte obrigatória do crescimento da cidade, e não como algo que acontece pelas bordas”, destaca. Nesse contexto, José Craidy Simões, parte do CAU-RS e doutor em planejamento urbano, salienta que os instrumentos de planejamento podem igualmente ampliar ou atender necessidades de moradia e que as políticas públicas aplicadas devem ser correntes. “Isso é um trabalho de formiguinha, que envolve tanto o ente municipal, quanto o estadual e federal”.

 

 

Fonte: Jornal do Comércio

Preços de imóveis sobem 14,7% em 12 meses; Porto Alegre tem valorização acima da média nacional

06/10/2026

Os preços dos imóveis residenciais voltaram a subir em agosto, mas em um ritmo menor do que no começo do ano.

 

O IGMI-R (Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial) subiu 0,87% em agosto, depois de avançar 0,61% em julho. Quando se olha para um período mais longo, porém, o cenário é outro. A alta acumulada em 12 meses caiu pelo quinto mês consecutivo e chegou a 14,73%. Em março, os preços acumulavam valorização de quase 20% nessa mesma comparação.

 

Divulgado nesta terça-feira (29) pela Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), o índice mostra que, mesmo com a perda de ritmo, a valorização dos imóveis continua acima da inflação -4,22%, no período.

 

Os preços também avançaram mais que os aluguéis. O IVAR, índice da FGV que acompanha a variação dos contratos de locação residencial, acumulou alta de 5,09% em 12 meses.

 

Segundo a Abecip, a diferença entre os indicadores reforça que o comportamento dos preços de venda não pode ser explicado apenas pela evolução dos custos das incorporadoras. Oferta disponível, demanda, condições de crédito e características específicas de cada mercado também influenciam a formação dos preços.

 

Entre janeiro e agosto, o IGMI-R acumulou alta de 6,56%. O resultado ficou abaixo dos 10,19% registrados no mesmo período de 2025 e dos 9% de 2024, mas ainda supera as taxas observadas entre 2016 e 2019 e em 2023.

 

O movimento, no entanto, não é uniforme. A diferença entre as capitais pesquisadas pela Abecip mostra mercados imobiliários em momentos distintos, com Recife e Porto Alegre apresentando valorização bem acima da média nacional e Fortaleza na outra ponta.

 

Os preços residenciais na capital pernambucana subiram 12,04% nos oito primeiros meses do ano e acumulam alta de 25,81% em 12 meses, a maior entre as dez capitais acompanhadas pelo índice.

 

Curitiba aparece em seguida na comparação anual, com valorização de 21,19%, seguida por Salvador, com 19,20%, Brasília, com 18,41%, e Porto Alegre, com 16,66%.

 

Em agosto, Porto Alegre registrou a maior alta mensal, de 1,66%, seguida por Belo Horizonte, com 1,65%, e Recife, com 1,44%.

 

Curitiba foi a única capital a registrar queda no mês, de 0,23%, mas mantém uma das maiores valorizações no acumulado do ano, de 8,82%.

 

Na capital paulista, os preços avançaram 0,81% em agosto, depois de uma alta de 0,25% em julho. No acumulado do ano, entretanto, São Paulo registra valorização de 5,57%, abaixo dos 6,56% do índice nacional.
 

 

Fonte: Jornal do Comércio